Não creio que seja possível falar sobre diversidade e inclusão sem antes ressaltar o poder da empatia. Esse sentimento que nos coloca de frente para as dores sociais do mundo, nos convida a ser flexíveis e alcançar novos campos de visão, antes completamente desconhecidos. Ser empático não se limita a simplesmente imaginar-se no lugar do outro, é preciso se deixar sentir o que o outro sente, viver (ainda que de maneira breve) o que o outro vive, é preciso mergulhar em um mundo completamente diferente do seu e que inevitavelmente, te leva para fora da zona de conforto.

Nas organizações, por exemplo, ser empático tornou-se uma nova tendência para caminharmos rumo a uma sociedade mais democrática. Um chamado em proporções de manifesto como se nos dissessem que a diversidade e a inclusão possuem o poder de transformar o mundo em um lugar muito mais criativo e inteligente socialmente, com soluções que abraçam diferentes desafios dentro e fora das empresas. Diante de muros ainda tão altos de resistência e com a ausência de políticas públicas que acolham uma atmosfera como essa com mais profundidade, fica evidente a necessidade de termos conversas difíceis que possam flexibilizar esse tipo de diálogo. Enquanto estivermos presos em padrões antigos, não nos permitiremos ser livres enquanto sociedade e senso de comunidade.

Por sorte, a mudança é a única permanência da vida.

Se quisermos falar sobre desconstrução de padrões sociais e culturais que nos levam para os mesmos caminhos, precisamos essencialmente compreender quais são as dores sociais que envolvem essas pessoas. Ao observarmos a complexidade emocional que a humanidade carrega por conta do sistema que fomos educados a enxergar como única possibilidade de sobrevivência, temos que fazer o exercício diário de optar pela quebra de paradigmas, proporcionando a nós mesmos e aos que nos rodeiam uma perspectiva otimista sobre o que é mais é possível que ainda não foi considerado.

Pessoas se unem através da identificação que possuem umas com as outras e com os temas que compartilham em comum. Se pautarmos as relações dentro das organizações, vamos observar que, de fato, construímos relacionamentos familiares que funcionam como grupos diversos. Essas comunidades ganham cada vez mais força à medida em que outras pessoas com os mesmos interesses, intenções e visão de mundo se identificam com a causa e expandem a mesma para outros fóruns. Com a visível e constante expansão tecnológica, nossas comunidades sociais ganharam cada vez mais força, gerando inclusive, as comunidades digitais, que reúnem pessoas nas mais variadas localidades do mundo. Assim, notamos o mundo digital aproximar causas e necessidades da realidade onde residem as grandes empresas.

Torna-se então impossível manter o silêncio para essa verdade: organizações são feitas por pessoas, pessoas sentem e conectam-se através de suas emoções mais profundas e inevitavelmente, pedem espaço para a existência, a liberdade e o pertencimento.

Se as organizações possuem a intenção de compreender a fundo causas como a da diversidade e inclusão, precisam abrir-se para o sentimento que abraçará o futuro do trabalho: a empatia. Não basta realizar apenas contratações que comprovem diversidade e inclusão, é preciso conhecer essas comunidades, saber o que falam, o que pensam, sentem e o que buscam, ou seja, qual o propósito de existência de causas como essas e quais são as dores sociais que emergem desse círculo de pessoas. Mais do que ser empático, precisamos nos projetar no mundo em que vivem: os negros, os imigrantes, os indígenas, as pessoas com deficiência, a mulher, as pessoas trans e assim por diante.

Acima de todas as definições, somos pessoas que dividem o mesmo espaço, e o mais importante: sabemos o que é sentir. A única coisa que não muda de pessoa para pessoa é a capacidade de possuir sentimentos profundos, por isso, é tão relevante considerarmos não só como o outro se sente, mas também conectar-se com tais sentimentos para que possamos escutar as vozes, o tom e a expressão de diferentes comunidades sociais, e assim, tornar empresas capazes não só de realizar novas contratações considerando inclusão e diversidade, mas também torná-las preparadas para receber essas pessoas dentro das empresas. Assim criamos um ambiente de igualdade e, sem dúvida, muito mais democrático – um movimento de dentro para fora.

Se as empresas querem fazer parte de soluções tão relevantes como essas, elas precisam, em profundidade, entender que fazem parte do problema.

*************************************************************************************************

Este conteúdo foi produzido em colaboração entre a Revista HSM Management, melhor publicação sobre gestão do Brasil, e a Tribo, consultoria de negócios focada em cultura corporativa, especialmente para a série “Blend Convida”, que traz artigos de opinião, estudos e pesquisas sobre diversidade e inclusão elaborados por especialistas convidados.

Sobre a autora: Ana Miranda, Head de Comunicação da Tribo