De um ano para o outro, o mundo teve que se reinventar quase que por inteiro. Sem tempo hábil para planejar a transição para uma vida em isolamento, sem previsões de término e sem amostra de dados suficientes para prever o futuro em um curto período de tempo, não temos noção do que nos espera até o final de 2020, quanto mais em 5 anos.

A pandemia de coronavírus acelerou drasticamente mudanças sociais, sem tempo de transição e planejamento. A mudança de hábitos e formatos de trabalho, consumo, relações, entretenimento, foi abrupta e seus aprendizados passaram a serem diários, a partir da prática, um dia de cada vez, e sem certezas para o futuro (muito menos dados consistentes para administrar as angústias diante da mudança e das incertezas).

Esse é o cenário onde fomos imersos nos últimos tempos, que colocou em destaque nas organizações, questões relacionadas à preocupação com o bem estar emocional, físico e mental dos funcionários diante de mudanças abruptas de rotina de trabalho, com a prática de trabalho remoto por muitas empresas, mudança nos hábitos de alimentação e atividades físicas, gestão das relações com companheiros de isolamento. Mais do que nunca, o papel de líder foi colocado em evidência como essencial na gestão de pessoas nesse novo cenário, sua importância em gerir e engajar equipes, buscar novas formas de comunicação e sobretudo, entender as diferentes necessidades de seus liderados, serviram como termômetro para os desafios futuros de formação de lideranças em um mundo pós-pandemia.

Leia também: Mundo Vuca: como o coronavírus potencializou a discussão sobre esse conceito e seus impactos na gestão de pessoas.

 

O futuro é de uma liderança inclusiva

Os 4 maiores desafios para líderes do futuro – segundo um report publicado pela Deloitte sobre liderança inclusiva, após pesquisa com mais de 1 mil líderes globais e 1,5 mil funcionários sobre suas percepções sobre liderança, – são voltados para a gestão de diversidade: de mercados, considerando as novas soluções e disrupções potencializados pelos empreendedorismos; de consumidores, cada vez mais empoderados pela tecnologia e que demandam produtos e serviços cada vez mais personalizados; de ideias, uma vez que a comunicação digital permitiu acesso à informação e poder de fala, e por último, de talentos, com diferentes perfis de comportamento e relação com o trabalho, e com novas expectativas com relação ao equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.

A partir do reconhecimento dessas 4 variáveis que vão alterar drasticamente o papel dos líderes do futuro, (mercados, consumidores, ideias e talentos), a pesquisa aponta 6 características a serem desenvolvidas para que a liderança esteja preparada para a gestão dessas diversidades, são elas: 

  1. Comprometimento: saber lidar com a diversidade e inclusão não é tarefa fácil, envolve tempo e dedicação para entender a fundo sobre o tema, por isso a importância de ser uma prioridade na agenda da liderança. 
  2. Coragem: precisam estar dispostos a desafiar o status quo, não apenas reconhecer a diversidade, mas serem agentes de transformação na organização e encorajarem outras lideranças a serem proativas na priorização da inclusão.
  3. Reconhecimento dos seus vieses inconscientes: em âmbito pessoal e organizacional, os líderes devem ter consciência dos vieses existentes para conseguirem atuar sob eles e reduzir seu grau de influência nos processos.
  4. Curiosidade: abertura permanente para os diferentes pontos de vista, buscar sempre ouvir as vivências das pessoas e construir grupos diversos de trabalho.
  5. Inteligência cultural: habilidade de mediar relações transculturais, tendo consciência dos impactos da sua própria cultura em sua forma de atuação e na criação de expectativas em relação aos outros.
  6. Colaboração: capacidade de empoderar cada indivíduo do grupo, ao mesmo tempo que empodera o coletivo, elevando a inteligência do grupo. 

A partir dessas 6 características apontadas pelo estudo da Deloitte, fica evidente o protagonismo da liderança inclusiva na construção de equipes diversas, multiculturais e empoderadas, além da responsabilidade em reconhecer vieses e engajar outras pessoas no tema. 

 

Não basta reconhecer a diversidade, é preciso agir por ela

Esse pensamento é muito presente do movimento de igualdade racial, de que não basta apenas reconhecermos que a sociedade é racista, precisamos ser ativos contra o racismo para a eliminação de desigualdades e preconceitos históricos.

Essa é a lógica que deve guiar os líderes no novo contexto mundial, o chamado “novo normal”, totalmente diverso do que estávamos acostumados até 2019. Para liderar nos tempos de hoje e no futuro será preciso ser agente ativo na busca por diversidade dentro das equipes para ampliar nosso olhar, encontrar outras saídas para os novos dilemas e construir um senso de pertencimento de comunidade, além das paredes das empresas, que se desmoronaram.

Essa é a perspectiva introduzida por Andres Tapia, senior client partner na Korn Ferry, consultoria internacional de gestão organizacional, em seu artigo sobre liderança inclusiva. Ele ressalta o papel de líderes inclusivos em transformar o ecossistema a partir de atitudes que envolvam mais players e na formação de talentos inclusivos capazes de alavancar os níveis de inovação no mercado.

 

Líder protagonista e coadjuvante

Outra forma de abordagem de liderança inclusiva é através do modelo de alternância. Essa metodologia de liderança é abordada pela escola de futurismo, Aerolito, em seu curso Digital First, como modelo de liderança que deve ser priorizado pelas organizações antenadas com o futuro, considerando contextos cada vez mais dinâmicos de trabalho, a inserção das novas gerações no mercado e os novos modelos de gestão organizacional, que tendem a ter uma gestão fixa cada vez mais reduzida, interagindo com grandes comunidades de profissionais espalhados pelos vários cantos do mundo. A Aerolito, inclusive, lançou seu primeiro processo seletivo intencional de contratação de mulheres negras, construído com a colaboração da PretaLab.

Nessa dinâmica futurista de trabalho, o desafio das lideranças será cada vez mais voltado para o desenvolvimento da capacidade de empoderar pessoas para que elas assumam a liderança em projetos específicos, de modo a criar comunidades de profissionais que alternam entre posições de protagonistas e coadjuvantes de forma natural.

Essa visão vai de encontro à capacidade da liderança compreender e reconhecer o lugar de fala de cada pessoa da sua equipe, possibilitando que cada um tome à frente de projetos que dizem respeito às suas vivências individuais, criando uma cultura de equipe coletiva, sem perder a individualidade de cada um.

Leia mais sobre em: A importância do lugar de fala na criação de ambientes mais inclusivos.

 

O futuro é humano

A humanização das relações já era um tema ascendente nos debates organizacionais sobre gestão de pessoas, ganhando ainda mais destaque com o isolamento social adotado como medida de contenção na disseminação do coronavírus. A inteligência interpessoal, ou seja, aquela capaz de nos guiar nas relações sociais, nos dando pistas sobre como nos comunicar na diversidade, como reconhecer nossos vieses culturais e empoderar outras pessoas, será grande aliada na formação de novos líderes.

Diante de tantos desafios listados aqui e inúmeras habilidades apontadas na formação de líderes inclusivos, no final das contas estamos falando sobre a importância do olhar dos profissionais estarem atentos à diversidade humana e seu potencial para a formação de lideranças inclusivas.

 

Crie uma cultura inclusiva e treine seus colaboradores sobre esse tema

Em abril, a Blend Edu lançou uma pesquisa de benchmarking para mapear e gerar insights sobre as estratégias de Diversidade e Inclusão (D&I) durante a pandemia.

45 grandes empresas participaram, compartilhando como seus programas são estruturados e quais ações estão sendo implementadas para potencializar a estratégia de diversidade nos tempos atuais. Entre as 10 ações mais recorrentes, estão treinamentos para colaboradores e líderes.

Ao aprofundarmos as ações de T&D, descobrimos que alguns dos temas mais recorrentes é exatamente liderança inclusiva. Se quiser saber mais sobre os insights desse benchmarking, faça o download gratuito do relatório completo pelo link: http://bit.ly/diversidade-benchmarking

E que tal realizar um treinamento de liderança inclusiva, com o apoio da Blend Edu?

Nossa equipe já realizou este treinamento em empresas como a TIM, Ipiranga, Reserva, Prudential e Movile, tanto virtualmente quanto presencialmente. Caso queira levar essa discussão para sua empresa, entre em contato pelo formulário que aparece ao fim desse artigo (após as recomendações de outras leituras).