91% dos CEOs acreditam que empatia está diretamente relacionada à melhor performance financeira da empresa e 93% dos colaboradores afirmam que estão mais propensos a ficar em uma organização empática.

De acordo com o relatório Empathy Monitor (2017), a empatia tem impacto direto na produtividade, lealdade e engajamento dos funcionários. A conclusão é que ser empático no local de trabalho fornece retornos significativos e concretos. Conectar colegas de trabalho ajuda a sustentar uma empresa próspera, criada para o longo prazo. Alguns dados do relatório no mostram que:

  • 77% dos trabalhadores estariam dispostos a trabalhar mais horas para um local de trabalho mais empático; 
  • 92% dos profissionais de RH observam que um local de trabalho empático é um fator importante para a retenção de funcionários. 
  • 80% dos millennials notaram que deixariam o emprego atual se seu escritório se tornasse menos empático. 
  • 66% dos Baby Boomers também compartilharam esse sentimento.

Em outro relatório revelado pelo Banco Mundial (2018) sobre a relação entre tecnologia e produção, habilidades como trabalho em equipe, liderança e empatia serão fundamentais para o trabalhador do futuro. Constantemente, os dados evidenciam que os processos organizacionais modernos, ainda que embasados em tecnologia, são todos decorrentes e dependentes de relacionamento humano. E, nesse contexto, a noção de empatia tem cada vez mais importância.

Mas, afinal, o que é empatia?

Empatia pode ser considerado um fator de aprimoramento dos relacionamentos interpessoais. E, embora seja fácil dizer “coloque-se no lugar do outro”, para sentir e demonstrar empatia, não é necessário compartilhar as mesmas experiências ou circunstâncias. 

Na verdade, está muito mais na tentativa de entender melhor a outra pessoa – sua perspectiva, trajetória e dificuldades. Conhecer sua realidade e de onde ela está falando. Os psicólogos Daniel Goleman e Paul Ekman dividem o conceito de empatia em três categorias:

  1. Empatia cognitiva é a capacidade de entender como uma pessoa se sente e o que ela pode estar pensando. A empatia cognitiva nos torna melhores comunicadores, porque nos ajuda a transmitir informações da maneira que melhor alcança a outra pessoa.
  2. Empatia emocional (também conhecida como empatia afetiva) é a capacidade de compartilhar os sentimentos de outra pessoa. Alguns o descreveram como “sua dor no meu coração”. Esse tipo de empatia ajuda a construir conexões emocionais com os outros.
  3. Empatia compassiva (também conhecida como preocupação empática), que vai além de simplesmente entender os outros e compartilhar seus sentimentos: na verdade, nos leva a agir, a ajudar o quanto pudermos.

A Dra. Brené Brown – pesquisadora na Universidade de Houston (Graduate College of Work) -, tornou-se reconhecida por falar e escrever sobre empatia, vulnerabilidade e outras emoções importantes que convivemos o tempo todo ao longo da vida. Brown costuma dizer que a empatia consiste em quatro qualidades: 

  1. a capacidade de assumir a perspectiva de outra pessoa; 
  2. de afastar-se do julgamento; 
  3. de reconhecer a emoção nos outros;
  4. de comunicar essa emoção.

Ela define a empatia como “o sentir com as pessoas” e observa que é uma “escolha vulnerável” porque requer que uma pessoa toque em algo pessoal que a faça se identificar com a luta de outra pessoa e, então, criar uma conexão. 

Separamos um vídeo em que ela explica de uma forma bem-humorada e didática as diferenças entre empatia e simpatia, deixando clara a importância de identificá-las.

A empatia em diferentes países e culturas

Os níveis de empatia podem variar de acordo com a cultura dos lugares e espaços, sejam eles países ou empresas.

De acordo com pesquisa realizada na Universidade Estadual de Michigan (EUA), pelo William Chopik, “a sociedade está mudando e muito pode ser mudado nos próximos 20 ou 50 anos, inclusive as posições ocupadas pelos países no ranking de empatia”. 

Para comparar o que o povo de cada nação sentia, Chopik (e demais pesquisadores da universidade) analisaram respostas de pesquisas com mais de 104 mil pessoas de diversas partes do mundo. O questionário contava com perguntas que tentavam medir a compaixão e a tendência dos voluntários a imaginar o ponto de vista de outros em situações hipotéticas. 

De acordo a pesquisa, o Brasil ficou em 51º lugar entre os países mais empáticos do mundo (no total de 63 países foram analisados). Abaixo, o mapa da empatia mostra o nível de empatia dos países, sendo os vermelhos mais escuros os mais empáticos e os mais claros os menos.

A imagem apresenta um mapa com o nível de empatia dos países, sendo os vermelhos mais escuros os mais empáticos e os mais claros, os menos empáticos.

Imagem retirada do site da universidade de Michigan – USA: https://research.msu.edu/is-america-still-an-empathetic-country/

A importância da empatia nos negócios

Existem cada vez mais atributos intangíveis, difíceis de avaliar, mas que fazem sentido analisar no ambiente empresarial. 

Em 2016, foi criado o Empathy Index (ou Índice Global de Empatia), que mapeia quais são as empresas que estão criando com sucesso culturas empáticas e quais delas conseguem criar um ambiente de prosperidade para as equipes, gerando maior retorno financeiro ao redor do mundo. 

Desenvolvido pela Empathy Business, consultoria sediada em Londres, e chancelado pela Harvard Business Review, do total de 170 empresas, o Facebook, Google e LinkedIn estavam entre as três primeiras posições na lista consideradas como os locais de trabalho mais empáticos do mundo. A metodologia usada dividiu a empatia em 5 categorias: ética, liderança, cultura organizacional, percepção de marca e mensagens públicas através das mídias:

A imagem é referente a um índice baseado em uma análise da cultura interna, desempenho do CEO, ética e presença nas mídias sociais de 170 empresas nos principais índices financeiros.

Imagem retirada do site da Harvard Business Review: https://hbr.org/2016/12/the-most-and-least-empathetic-companies-2016

O Empathy Index conseguiu comprovar que a empatia Corporativa está diretamente correlacionada com:

  • Crescimento: As 10 melhores empresas no Índice de Empatia Global (2016) tiveram um aumento em seu valor mais de duas vezes maior que as 10 piores.
  • Produtividade: As 10 melhores empresas também geraram 50% mais lucro por funcionário que as 10 piores.
  • Receita: As 10 melhores empresas tiveram um aumento de 6% em média na receita, enquanto as 10 piores tiveram uma queda de 9% em média.

Estes dados traduzem uma tendência de discutirmos como a “empatia” pode e deve ser aplicada às empresas ou, mais concretamente, aos seus líderes.  E esse tema ganha ainda mais importância no contexto da 4a revolução industrial. Leia mais em: https://revistahsm.com.br/post/a-importancia-da-empatia-e-da-diversidade-para-as-empresas-no-contexto-da-4-revolucao-industrial

Afinal, as relações dentro de uma empresa não precisam ser baseadas apenas na competitividade. Quando há empatia entre os membros de uma equipe, a organização é capaz de alcançar metas maiores do que quando é levado em conta apenas o resultado pessoal. Incentivar esta habilidade dos colaboradores harmoniza o ambiente de trabalho e promove a construção de laços mais ricos na empresa. 

As empresas que mais se destacaram na gestão de pessoas nos últimos anos são aquelas que sabem muito bem aonde querem chegar e têm certeza de que dependem de seus colaboradores para alcançar seus objetivos. Essas empresas conseguiram reduzir o grau de incerteza – grande gerador de tensão para qualquer ser humano – agiram com empatia, e, ao estabelecer uma comunicação direta e aberta, definiram planos de ação baseados na identificação dos pontos que mais impactam na satisfação profissional de seus colaboradores.

Para corroborar com a efetividade dessas ações, a Businessolver, também idealizadora do “State of  Workplace Empathy Study”, agora em seu quarto ano de análises, realizou um levantamento em 2019, nos EUA, a fim de avaliar o estado de empatia nos locais de trabalho americanos entre profissionais de RH e CEOs. A revelação foi de que cerca de 90% dos funcionários acredita que a empatia é um importante valor no local de trabalho, e que 8 em cada 10 estão dispostos a deixar um empregador que não é empático.

Vantagens competitivas

Vimos anteriormente que a empatia não é benéfica apenas para o mundo, como pode trazer vantagens competitivas para os  negócios. Nossa capacidade de ver o mundo da perspectiva dos outros é uma das ferramentas mais cruciais em nossa caixa de ferramentas de negócios:

  1. Aumento de vendas, lealdade e referências
    Todo vendedor qualificado sabe que a chave para fechar vendas é antecipar as necessidades de seus clientes e demonstrar como seu produto ou serviço atenderá melhor às necessidades deles. Entender verdadeiramente as necessidades de seus clientes significa refletir sobre seus medos, desejos e necessidades. Se sua equipe de vendas não entende intimamente a vida de seus clientes, como você pode esperar que eles expliquem como seus produtos ou serviços se encaixam na vida deles? Esse é o poder da empatia nos negócios.Indo além do aumento de vendas, o que é ainda mais valioso são clientes fiéis e referências fortes. Para ver clientes fidelizados e clientes transformados em super fãs, verifique se essa mentalidade de empatia estimula a cultura de toda a organização, do atendimento ao cliente ao departamento de contabilidade.
  1. Produtividade e inovação aceleradas
    Quando os clientes consideram sua empresa empática, você verá um aumento nas vendas, mas não só isso. Os funcionários com fortes habilidades de empatia também são mais produtivos e inovadores. Isso significa que, se você deseja aumentar a eficiência e expandir o número de problemas que pode resolver para os clientes, deseja contratar funcionários com fortes “habilidades pessoais”.
  1. Maior envolvimento e colaboração
    Portanto, se os melhores gerentes e membros da equipe expressam empatia e vontade de agir com compaixão pelos outros, é lógico que empresas com culturas que incentivam a empatia
    atrairiam indivíduos altamente engajados. E é exatamente isso que os dados mostram. Empresas empáticas também têm melhor retenção e maior moral entre os funcionários.

O que é empatia no nível dos funcionários e o que sua empresa pode fazer para alcançá-la?

Os funcionários falam sobre dois tipos diferentes de empatia no trabalho – empatia corporativa e empatia dos funcionários. 

Empatia corporativa é como a empresa mostra compaixão em suas iniciativas institucionais, como a relação com clientes, desenho de produtos, envolvimento em causas sociais, programas de voluntariado e conservação ambiental. 

Mas e as experiências cotidianas dos funcionários no trabalho? Enquanto apreciam e esperam causas corporativas, eles também desejam um espírito de empatia dentro do ambiente de trabalho. Isso significa que os líderes da organização precisam gerenciar e liderar através de uma lente de empatia, onde o bem-estar e as preocupações do funcionário são levados em consideração durante o processo de tomada de decisão.

Como criar uma cultura mais empática dentro da empresa?

Um aspecto crítico do desenvolvimento de uma cultura empática é que a liderança tenha uma compreensão clara do seu papel e entendam a importância de liderar pelo exemplo. Uma cultura empática deve vir de cima para baixo para se espalhar com sucesso por toda a organização.

De acordo com o Projeto Culture of Empathy, existem alguns pontos importantes para construir uma cultura mais empática:

  • Crie uma visão
    Crie uma visão para responder como seria um mundo com alto nível de empatia? Qual é o problema com o mundo em que vivemos agora? Como será o mundo à medida que o nível de empatia subir? Quais serão alguns obstáculos à nossa visão? Como vamos superá-los?
  • Defina um propósito e uma intenção clara
    Tenha a intenção de construir uma cultura de empatia. Explique para as pessoas como conseguimos atingir a  intenção? Como a empatia ou uma cultura de empatia melhora a vida das pessoas? Por que gostaríamos de aprofundar a empatia.
  • Entenda como a empatia funciona
    Desenvolva uma compreensão científica mais profunda do mesmo. Divulgue a ciência e a compreensão dos neurônios-espelho ao público
  • Dialogue e se comunique sobre isso
    Crie um diálogo sobre o assunto – fale mais sobre ele.
  • Promova experiências empáticas:
    As pessoas adoram ter experiências interativas e lúdicas. Sabendo disso, a Blend Edu tem uma linha de serviços totalmente dedicada à criação de experiências empáticas e educacionais. Por exemplo, já utilizamos o óculos de realidade virtual para fazer com que pessoas se coloquem no lugar de cadeirantes, pessoas de diferentes classes sociais e refugiados. Ao mesmo tempo, levamos um colete musical, que fazem as pessoas compreenderem como deficientes auditivos se relacionam com a música, dentre outras. Esse tipo de experiências já foi implementada em empresas como a Reserva, 3M, TechnipFMC, Prudential, Tim, dentre outras.
  • Faça rede e conecte-se com outras pessoas que valorizam a empatia
    Afinal, precisamos do apoio e incentivo de outras pessoas que valorizam a empatia e querem transformar a sociedade
  • Desenvolva treinamento que dissemine os comportamentos e hábitos de pessoas empáticas.
    Entre os temas de treinamentos promovidos pela Blend Edu estão: Empatia e respeito, Hábitos de pessoas altamente empáticas, dentre outros. Também temos um treinamentos sobre o tema dentro da plataforma educacional Diversidade SA.
  • Construa estruturas, metodologias, processos e um movimento de transformação cultural
    Estude sobre empatia: ser capaz de falar sobre o tema. Leia artigos, livros, etc., assista a vídeos sobre empatia, sendo capaz de responder a diferentes argumentos e preocupações. A partir disso, revise seus processos com metodologias baseadas no human centered design (que coloquem o ser humano no centro do desenho de soluções).

    Quando nós, da Blend Edu, trabalhamos com modelagem de negócios e desenho de processos, serviços e produtos, por exemplo, usamos a abordagem Design Thinking que tem entre seus valores centrais a empatia. Pensar como o cliente/usuário para criar algo relevante ou entender o impacto de certas mudanças na vida de um colega são alguns exemplos práticos desse trabalho.
  • Reconheça pessoas empáticas e promova-as para a liderança das instituições e empresas
    As pessoas espelham seus líderes e, por isso, precisamos de modelos empáticos de liderança.
  • Remova os obstáculos para empatia.
    Remova detratores da cultura, processos ou burocracias que impedem a empatia de acontecer.

Não é fácil alcançar uma cultura corporativa empática da noite para o dia. Leva tempo e um compromisso, mas os resultados desses esforços já foram (mais do que) comprovados.

Como iniciar uma sensibilização para empatia na empresa?

O início, sem dúvida, faz parte de uma mudança cultural que prioriza a colaboração e promove a comunicação em diversas vias. Isso inclui perfis diferentes de liderança e estruturas pró-autonomia. A boa notícia é que, assim como aprendemos a desenvolver a comunicação, espírito de liderança, trabalho em equipe, a empatia pode ser desenvolvida também. 

Há muitas ferramentas e técnicas de gestão para incentivar um maior envolvimento entre as pessoas e, consequentemente, testar a empatia e a inteligência emocional. 

Caso queria contar com a Blend Edu nessa jornada, preencha o formulário de contato que aparece aqui no nosso site.

E como a sua empresa lida com o tema?  Compartilhe experiências interessantes sobre o assunto, marcando a Blend Edu nas suas redes sociais.