Se você já tem familiaridade com pautas feministas e discussões atuais sobre atitudes antimachistas, é bem possível que tenha ouvido falar do termo “masculinidade tóxica”.

Frases como “homem não chora”, “brincar de boneca é coisa de menina”, “todo homem tem que gostar de futebol”, são algumas expressões que representam uma das camadas desse conceito, além de uma série de atitudes e condutas prejudiciais que são conhecidas como “tipicamente masculinas”.

Alguns comportamentos são tão normalizados que torna difícil identificar como esse conceito se dá no dia a dia, dado que a masculinidade tóxica é uma construção social, que define um conjunto de padrões, valores, ideias e expectativas de comportamentos que determinam como homens devem agir.

Segundo estudo publicado no Journal of School of Psychology, a definição seria: “a constelação de traços socialmente regressivos [masculinos] que servem para promover a dominação, a desvalorização das mulheres, a homofobia e a violência gratuita”.

Como a masculinidade tóxica aparece no dia a dia?

Segundo os papéis de gênero, ou seja, esse conjunto de padrões e expectativas de comportamentos que são aprendidos em sociedade, homens que não atendem determinadas expectativas não são considerados “homens de verdade”.

E a busca por atingir esses traços de masculinidade pode reforçar atitudes machistas, agressivas, além de trazer um desequilíbrio pra vida pessoal e social desses indivíduos, como, por exemplo:

  • Desenvolver comportamento violento/agressivo
  • Estímulo a agressão sexual e/ou verbal
  • Apatia, isolamento e não conseguir compartilhar emoções e sentimentos
  • Necessidade de controle e dominação (especialmente sob mulheres)
  • Hipercompetitividade
  • Entre outros

A crença popular de que “os homens são assim mesmo” reforça comportamentos descuidados, agressivos ou prejudiciais instigados nos homens desde a tenra infância, em vez estimular um movimento, a partir da educação e da informação, no sentido de levá-los a assumir seus erros e se desculpar por eles.

Neste caso, é importante diferenciar o conceito masculinidade da masculinidade tóxica, que é a que traz essa definição exacerbada do que é ser homem e quais comportamentos são esperados.

Confira este vídeo de Rita Von Hunty explicando mais a fundo sobre o conceito:

Quais impactos esse comportamento tem na vida dos homens e mulheres?

A cultura da masculinidade tóxica e suas consequências têm implicações em diversas esferas sociais. Começando pelos comportamentos que perpetuam o machismo, por exemplo, que pode ser identificado dentro de casa, com homens que não fazem determinadas tarefas domésticas por “ser coisa de mulher”.

Ainda podemos mencionar as diferentes formas de manifestação do machismo no ambiente de trabalho, como o assédio moral, sexual, psicológico – até virtual -, além de situações onde mulheres são interrompidas, têm suas ideias apropriadas por um homem ou são descredibilizadas por seus trabalhos.

Imagem com alguns conceitos de ações machistas, como bropriating, manspreading, mansplaining e manterrupting, práticas que também reforçam a masculinidade tóxica.
Imagem: reprodução

Os exemplos são inúmeros, dado que o machismo está diretamente relacionado aos comportamentos tóxicos que invisibilizam, violentam, silenciam e inferiorizam pessoas que se identificam com o gênero feminino.

Essa cultura contribui não somente com casos que podemos considerar como microagressões e estereótipos de gênero, como também com situações mais extremas de violência, como o feminicídio e estupro.

Para além do impacto na vida das mulheres, é importante frisar os resultados de tais comportamentos na vida dos homens, especialmente quando falamos de saúde mental.

Segundo a Associação Americana de Psicologia, meninos e homens que são forçados a atingir tais expectativas e agir de acordo com características mais violentas e “viris”, muitas das vezes, acabam lidando com efeitos prejudiciais, como depressão, estresse, abuso de substâncias, entre outros.

Além disso, um outro estudo, feito pela OMS, aponta que esse comportamento tóxico também é capaz de levar mais homens ao óbito, por conta da menor probabilidade de cuidarem da saúde e buscarem ajuda médica.

O levantamento também mostra que esse fato atinge, homens a partir dos 50 anos, principalmente, quando algumas doenças crônicas costumam aparecer. Um exemplo que podemos relacionar ao dado é referente ao diagnóstico tardio de câncer de próstata, devido ao preconceito e insegurança que impede muitos homens de realizarem o exame preventivo.

Como promover uma mudança dentro e fora das empresas?

A imposição do imaginário sobre o que é ser homem e suas implicações atingem todas as esferas sociais, e como toda construção cultural, é algo passível de discussão, reflexão e mudança.

E como qualquer processo de transformação, é necessário começar com ações de letramento e conscientização, para que juntos e juntas possamos alcançar uma nova definição de masculinidade, sem imposições prejudiciais ao desenvolvimento pessoal, emocional e profissional dos homens – e nem da sociedade como um todo.

Uma primeira dica é criar rodas de conversa para que os homens possam se educar sobre atitudes que perpetuam práticas tóxicas e reconhecer o que precisa ser mudado.

Em um nível mais amplo, convidar um amigo para trocar experiências e compartilhar emoções, possibilitando assim um espaço seguro e sem julgamento, também é uma boa alternativa para começar esse processo.

Estruturar uma rotina de feedbacks, implementar ações de licença-paternidade, além de estimular a criação de grupos de afinidade são alguns dos caminhos de como caminhar em prol dessa mudança.

O combate ao machismo estrutural dentro das empresas é um processo que permeia diversas ações, projetos e diagnósticos internos.

A Blend Edu é uma startup com foco em inovação para diversidade e atuamos por meio de diversos pilares. Dentre as ações que realizamos em conjunto com as empresas, oferecemos projetos de diagnóstico e consultoria estratégia, treinamentos sobre vieses inconscientes.

Além disso, também proporcionamos experiências sensoriais e imersivas, com o objetivo de despertar um comportamento mais empático e inclusivo na sua equipe.

Saiba mais sobre como podemos ajudar sua empresa com os desafios atuais. Entre em contato com a gente pelo e-mail: contato@blend-edu.com ou preencha o formulário abaixo.